quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Matemática: véu sobre a realidade


A primeira coisa de que tentei lembrar-me quando inicialmente esbocei este texto, foi um título incomum, algo que captasse a atenção do leitor (já que a dimensão desta produção não cativa a leitura, de todo), embora sem grande sucesso, mas enfim…O texto abaixo pode parecer óbvio para muitos e absurdo para outros tantos; no entanto, de qualquer forma, gostava de o deixar aqui.

Desde sempre que o homem tenta explicar, perceber e até mesmo predizer os comportamentos do que o rodeia. Porque caiu a maçã de Isaac Newton? Porque é que um carro a uma velocidade superior à de um camião e massa inferior consegue fazer o mesmo estrago que este?
As previsões fosse do que fosse começaram “sem fundamento lógico e numérico”, baseadas, acima de tudo, em crenças ou palpites…é bem conhecido o vício do ser humano em arranjar uma entidade superior à qual se agarrar em momentos de desalento, explicando-se assim esta recorrência ao aparentemente invisível. No entanto, a explicação daquilo que nos rodeia com base no raciocínio numérico, surgiu com o estabelecimento de um padrão, um código, através do qual, utilizando certas premissas (que em matemática recebem o nome de “fórmulas”), os resultados ou suposições que possamos fazer se tornam mais próximas da verdade.
A matemática – como foi chamada – celebra então o esmiuçar do tudo, constitui um verdadeiro “véu sobre a realidade” (conseguindo dobrar-se e desenhar os contornos de tudo com incrível precisão) sendo possível obter uma previsão muito próxima da realidade, em 90% dos casos mensuráveis e concretos.
Agora, se seguiram até aqui, mantenham na cabeça os seguintes pensamentos (vão ajudar a perceber a linha de raciocínio):
- Nada é directamente mensurável;
- Tudo pressupõe a atribuição de constantes para ser possível deduzir remates ou desfechos.
Desta forma, se pensarmos numa quantidade – por exemplo, seis – é quase impossível dissociar o número atribuído (código) da realidade (quantidade que o “seis” define). No exemplo, seis poderia ter o símbolo “6” ou “[]-“ ou outro qualquer, podendo também não se chamar “seis”. É precisamente isto que pretendo transmitir, nada disto existe, foi inventado, quase como uma linha de tendência tenta sugerir um padrão, uma fórmula, que relacione pontos/valores de uma experiência.
Há algo com que todos concordamos: a Matemática assegura um conjunto de resultados muito próximos da realidade, e dificilmente conseguiríamos lembrar-nos de outro esquema científico que cumprisse tão bem este papel.
Contudo, é também importante lembrar que tudo em matemática é criado, não existente. Se assim não o fosse, não existiriam constantes infinitas (o pi, o número de Nepper…) e haveria exactidão nos resultados (não existiriam as dízimas infinitas).

Em suma, as bases da matemática assentam em pressupostos de todo o tipo (a definição do positivo/negativo, a atribuição de símbolos às quantidades, etc.), e só por isto, podemos afirmar com segurança: Não há lógica em matemática, a não ser a que ela mesma cria, e, por isso, a matemática simplesmente não existe.

Sem comentários:

Enviar um comentário