Eu posso ser tudo, menos ser eu.
Nada corresponde ao que realmente é.
Se definirmos algo como algo,
Estaremos a acusá-lo de algo que este não é.
Eu não sou eu,
Nem tu serás, porventura, tu.
A tua personalidade não corresponde àquilo que delineias
Vemos apenas verosimilhança,
Uma tentativa, perto, mas não onde deveria acertar.
Tudo é mais sincero em definir-te do que tu mesmo,
Aquilo que és não o és.
Apenas o que nada pode fazer por ti, aparentemente,
Te mostrará o que serás, realmente.
Poderemos ser mais, maiores, melhores,
Apenas a nossa mente nos mostra uma projecção do que deveríamos ser
No entanto, não passa disso mesmo, nunca seremos mais do que isto.
O teu olhar encontra o nada da paisagem,
Danças com a beleza, apenas isto te conhece.
Beija a chuva e agradece a definição de ti mesmo por ela.
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