quinta-feira, 5 de agosto de 2010

No fim do olhar, tudo

Início, enjoo rotineiro.
De pé, preparava-se enquanto acordava,
Depois da ida, havia sempre a volta...
Era manhã, e o seu dia começava.

Na rua, indiferente ao animado e inanimado,
Nada lhe parecia, não ligava, não sentia afinidade.
Preso a uma vida em tudo sempre igual,
Apenas havia um fio, uma escapadela, uma novidade.

Tinha-a visto num dia igual ao seu,
Caminhava para a sua função, concentrada.
Carregava a mesma expressão, como se não tivesse céu,
Em nada diferente da dele, do outro lado da estrada.

A dúvida reprimia qualquer tentativa de tudo.
A beleza, estava certo de não ser ele o único a vê-la,
Cabelo loiro, maré dos seus devaneios,
A tez fugindo do castanho, os olhos, perfeitos para ela,

Em tarefas diárias, o pensamento foge das acções,
Para tudo olha, mas não vê.
O seu desejo crescia, era de facto algo,
Algo que quer mas no qual não crê.

Parecia não ter os olhos consigo,
Não cuidava as sensações, a mente estava suja de todas fantasias,
A realidade, sentia-a longe, voava enquanto podia,
Embora, além disto, fosse vazio de utopias.

O Sol morria mais uma vez,
E ele apenas uma certeza tinha:
“Tamanha perfeição de rapariga,
Jamais será minha”.

1 comentário:

  1. Lindo poema... lindo meu irmão, a sério. Fiquei sem palavras. Cada vez fico mais fascinada com tamanha sensibilidade e talento. Parabéns.
    beijinhos* mana Soraia

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