Aquilo que venho escrever hoje é algo cuja influência é comum à esmagadora maioria das pessoas, mas cuja forma pela qual influencia é diferente em toda a gente: música.
Se fizermos perguntas gerais como “As músicas não te trazem memórias?”, “Achas que há alguma música que conheces que te é realmente indiferente?”, “Nunca choraste ao ouvir «aquela» música no metro?”, obtemos respostas semelhantes para pessoas diferentes. No entanto, se dirigirmos mais as questões, como por exemplo “«Aquela» música não te dá arrepios?”, “Não te sentes melhor se ouvires «aquela» música?”, as respostas já divergem.
Uma grande amiga minha uma vez escreveu: ‘a vida é assim, (…) uma pauta de letras’. Eu acho que é isso e muito mais, é talvez uma partitura não só de palavras, mas também de imagens, recordações, e todos os elementos que caracterizem de forma o mais cabal possível qualquer momento.
Como qualquer pessoa, a minha percepção da realidade muda, quando ouço certas músicas. Atrevo-me mesmo a falar em sensações “físicas”, coisas tão reais e tão básicas, que não consigo descrever como etéreas nem metafísicas, mas sim corpóreas, materiais, palpáveis. Basicamente, se a minha vida fosse um livro, a música corresponderia às partes descritivas do texto.
Hoje em dia, a grande variedade de meios que nos rodeia permite-nos conhecer uma grande quantidade de músicas e desfrutar de todas elas da maneira que só nós queremos. O que acontece, no meu caso e de muitas pessoas, é que nenhuma música que conheça é indiferente, cada uma tem a sua marca, a sua pegada, o seu contributo para a formação da minha personalidade. Sou incapaz de ouvir uma música e não sentir os seus efeitos, e são sempre coisas muito físicas, muito reais que sinto, memórias demasiado claras (que por vezes se torna inconveniente). Tudo isto explica coisas como o facto de não poder ouvir certas músicas, o facto de conseguir ouvir inúmeras vezes a mesma música, etc.
Se eu pudesse descrever realmente a importância das músicas em mim, por muito sexualmente duvidoso que isto soe, eu acho que o mais acertado é referi-las como se, no conjunto, constituíssem um diário, um vastíssimo conjunto de memórias.
Assim o evocar duma memória de uma forma completa e plena, ocorre meramente pelo simples escutar duma música…Será assim em mais alguém?
A música é tudo. É-me tudo.
ResponderEliminarSim, é assim comigo tb.
Sim, tb já chorei atrás de uns óculos de sol, no metro, no comboio, a ir a pé para casa, em inúmeras situações. Porque temos sentimentos, é há certas músicas que os despertam.
E também oiço algumas quando estou mal, para sorrir nem que seja nos 3 ou 4 minutos em que elas duram.
Melhor que isso, é sermos nós a fazer a música. E quando com isso, conseguimos tocar tb na sensibilidade de alguém, fazê-la sorrir, parar, chorar, engolir em seco, desviar o olhar, parece que não há nada maior do que música. Arrepia-me.
Beijinho da Li*