terça-feira, 22 de junho de 2010

Caligrafia do sentimento


Tarde.
Ainda acordado, ele procurava versos,
Cada vez mais, pareciam longe e dispersos,
Mas ainda escrevia…

Algo faltava, e ele bem sabia o quê…
O corpo oco e a alma cansada,
Após muitos (mentidos) “Sem ti não sou nada”,
Mas ainda escrevia…

Sem dúvida, derrubado.
Desejava a apatia, letargia, morte
Sua ou dela, a escolha é da sorte,
Mas ainda escrevia…

Recordava todos os momentos, promessas eternas,
O transe do sentimento, ardente,
Sentimo-lo nós, mas não a gente,
Mas ainda escrevia…

A eterna questão dos mortais sentimentalmente: “Porquê?”
Desejava simultaneamente o fim e o recomeço!
Em mente, “Sempre teu, sempre minha, sempre nosso”
Mas ainda escrevia…

Com o coração roubado se sentia,
Desanimado, perdido,
De novo longe (‘desta vez para sempre’, dizia)
Talvez pelo melhor, cedo ou tarde
Confirmava o dito por Camões, ‘amor arde’
E sim, ainda escrevia, e por muito tempo escreveria…

2 comentários:

  1. Adorei. Mesmo :D
    Não vale a pena ficar agarrado a um passado. Há que encontrar forças para construir um futuro melhor :)

    *

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  2. É das melhores coisas que tenho lido.
    Se calhar foi por ler num dia menos bom, mas até soltei uma lagrimazinha.
    Obrigada por me dares a oportunidade de conhecer este teu lado.
    +.+

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